Bruno Prats

 

Bruno Prats


Destaques


É um dos grandes nomes da enologia mundial e tem em Portugal uma parceria sólida com a família Symington, na produção de um dos vinhos Douro DOC mais emblemático, o Chryseia. Um cavalheiro carismático de personalidade envolvente.

O que queria ser quando era pequeno?
Que eu me lembre, sempre quis ser enólogo. A vocação surgiu aos 9 anos de idade quando participei, de forma não muito eficiente, nas vindimas de 1953, do Chateau Cos d’Estournel (risos).

Com que idade começou a apreciar vinhos?
Sou de uma família dedicada aos vinhos. O meu avô da parte da minha mãe era Fernand Ginestet, proprietário dos Chateau Margaux, Chateau Cos d’Estournel e Chateau Petit Village. Comecei por isso a saborear vinho cedo, por volta dos doze anos, e aos quinze comecei a bebê-lo, com moderação, claro… 

Qual foi o primeiro vinho que provou e com quem, recorda-se?
O vinho servido todos os dias à nossa mesa era um vinho suave, clarinho, que também era feito na nossa casa da família, o Chateau Cos d’Estournel, em Saint Estèphe. Este foi provavelmente o primeiro vinho que provei, mas não tenho uma memória precisa, não posso garantir!

Qual foi o vinho servido no seu casamento?
Foi um Chateau de Marbuzet, o segundo vinho do Chateau Cos d’Estournel. Mas não me lembro do ano de colheita, honestamente, a minha atenção estava voltada para outra coisa (risos). 

Quem foi a personalidade no mundo do vinho que mais o influenciou?
Philippe de Rothschild foi sempre muito gentil comigo, quando comecei a trabalhar aos 24 anos de idade. Admiro-o pela sua visão futurista da região e dos vinhos de bordéus. Ele foi o primeiro a apostar no engarrafamento obrigatório dos vinhos, o primeiro a organizar visitas às adegas e o primeiro a associar o vinho à arte. 

Quais foram os vinhos que provou até hoje que mais o impressionaram?
Foi um Chateau Margaux de 1900, e tive a sorte de o provar três vezes. O vinho estava incrivelmente fresco, redondo, macio, elegante, perfeitamente equilibrado. O arquétipo de um grande vinho de Bordéus. O Cos d’Estournel 1870 também me marcou a memória, fiquei bastante impressionado… 

A sua parceria com os Symington é um sucesso. O Chryseia é um dos melhores vinhos portugueses… o que tem a dizer sobre este trabalho?
James Symington foi muito generoso em oferecer-me a oportunidade de trabalhar com a sua família no projecto Chryseia. Logicamente, eles poderiam ter feito o Chryseia sem mim, mas provavelmente teria sido num estilo diferente. A minha contribuição ajudou a que o Chryseia se tenha tornado, provavelmente, no mais elegante vinho DOC do Douro, e estou muito orgulhoso disso. Sempre soube que o Douro tem um dos melhores terroirs do mundo e que as variedades de uvas locais são perfeitamente adequadas a este terroir. Estou confiante de que, num futuro próximo, o vinhos Douro DOC serão mundialmente famosos e terão a mesma visibilidade dos grandes vinhos do Porto.

E planos para o futuro, novos projectos?
Já passei dos 70 e o plano agora é reduzir as minhas actividades, dando prioridade ao projecto Chryseia. Estou também a preparar a próxima geração. Os meus dois filhos já seguem atentamente o projecto Chyrseia e um dos meus netos já está a estudar agronomia na universidade.

CAIXA
Nascido a 12 de Março de 1944, em França, Bruno Prats é neto de Fernand Ginestet (famoso produtor de vinho de Bordéus e proprietário do mítico Château Margaux, entre outros), e de Jean Prats (ex-presidente da Saint-Raphael, uma grande empresa francesa da sua época). Formado em Agronomia pelo Institut Agronomique Nacional, em Paris, tem também uma pós-graduação em Viticultura da Ecole Nationale Superieure Agronomique, em Montpellier. Esta extensa formação em enologia, aliada a tradições familiares e à experiência prática nos melhores vinhedos de Bordéus, fez de Bruno Prats um enólogo de referência, sendo o seu conceito de enologia um meio de contrôle e não tanto um meio de intervenção. Para ele, o importante no vinho é expressar as características do terroir.

Entre 1968 e 1969, Bruno Prats trabalhou com o seu tio Pierre Ginestet, no Château Margaux. Em 1970, juntamente com a sua mãe e dois irmãos, assumiu o controle do Château Cos d’Estournel, o famoso Cru Classé de Saint Estephe, no Médoc. E assim foi, durante 28 anos, até que a sua família decidiu vender o negócio em Setembro de 1998. 

Bruno Prats foi também, durante 21 anos, o presidente do Syndicat des Crus Classés du Médoc, membro da Académie du Vin de Bordeaux e Vice-Presidente da Academie Internationale du Vin, em Genebra. O Presidente da República Francês atribuiu-lhe a ‘L’Ordre National du Mérite’.

Bruno Prats faz ainda vinhos no Chile, na África do Sul, em Espanha e em Portugal. Neste último caso, a parceria com a família Symington iniciou em 1999. A Prats & Symington produz o Chryseia (um DOC Douro considerado pela crítica como um dos melhores vinhos portugueses) e também a Quinta de Roriz, no Douro.