Joana Freitas

 

Máquina de Escrever

Quem sai aos seus…

Joana Freitas segue os passos da mãe, a produtora Leonor Freitas. Na adega situada em Fernando Pó, Península de Setúbal, faz de tudo um pouco, mas também viaja pelos quatro cantos do mundo a divulgar e promover o vinho de família. Apaixonada pela área, não se vê a fazer outra coisa.  

É filha de uma das produtoras de referência a nível nacional. Esse facto influenciou-a na escolha de trabalhar na área do vinho?
Sem dúvida que influenciou. Desde pequena que sempre quis andar com a minha avó, ir ao campo ver os trabalhadores na vinha, e ajudar ou ‘atrapalhar’ o trabalho deles (risos). Quando a minha mãe assumiu a Casa Ermelinda Freitas com a minha avó Ermelinda Freitas, a vontade de trabalhar neste sector cresceu ainda mais. Estive sempre muito envolvida em tudo, desde o desenvolvimento das marcas, bem como estar presente nas negociações com clientes, e nos trabalhos do engarrafamento.
A partir do momento em que nasceu o primeiro produto com o nosso nome, não tive dúvidas de que era mesmo o que queria fazer. 

Recorda-se da primeira vez que provou vinho?
Recordo-me, e achei que era algo fantástico. Como é que a uva, doce, se transforma num líquido cheio de sabores e sensações…

Houve um tempo em que quase não havia mulheres a trabalhar neste sector, mas hoje já existem várias, e excelentes profissionais. O que pensa sobre o assunto?
O que nos torna realmente verdadeiros profissionais é o amor e dedicação que temos pelo projeto em que estamos. Não está no género, mas sim no interior de cada um.

Quais são as suas funções na Casa Ermelinda Freitas, especificamente?
Aí está uma pergunta difícil, pois não desempenho uma só função especifica. Existem áreas às quais estou mais dedicada, como a área de exportação e de marketing, mas também desempenho um pouco de todas as áreas que compõem o mundo da Casa Ermelinda Freitas. No que está relacionado com a área de exportação, tenho viajado mais para outros continentes, por exemplo, para a Ásia, onde tenho visitado a China e o Japão, e também para o Continente Americano, para os EUA, país onde fiz a minha primeira viagem a assumir esta função. O que desenvolvo nestas viagens é a procura de parceiros. Quando já os temos, faço o acompanhamento das vendas e a dinamização da Casa Ermelinda Freitas nos respectivos mercados. 

 Se não tivesse singrado pelo mundo do vinho, que outra profissão escolheria?
Teria ido sempre para o mundo do vinho ou algo relacionado com a agricultura. Foi sempre do que gostei, desenvolver e ver crescer um produto.

Existe um wine bar (Wine Not?) no Chiado, em Lisboa, que a vossa adega apoia. Qual é o conceito, como funciona? 
O winebar no chiado foi uma parceria inovadora para a Casa Ermelinda Freitas, que surgiu de um desafio e pelo bom relacionamento que temos com a Rute e o João, proprietários do restaurante. O conceito é dar a experimentar os nossos vinhos com os bons petiscos criados pelo Wine Not?, encontrando-se sempre um toque dos produtos da região Península de Setúbal e um pouco da adega Casa Ermelinda Freitas, no coração de Lisboa.

Um dos vossos últimos projectos na adega foi um espaço muito especial dedicado à família…
Sim, o espaço ‘Memorias e Afetos Casa Ermelinda Freitas’ é algo que sempre quisermos criar. Não lhe quisemos chamar museu. Todo o espaço tem muito significado para a família, pois foi o local que deu origem ao que é hoje a Casa Ermelinda Freitas. É ali que se encontra a dedicação e presença de todas as gerações antes de mim, que tanto me motivaram e me levaram a apaixonar pelo vinho.

Sei que todos os membros da família se envolveram neste projecto. Sente que é a força da família que contribui para este sucesso?
Não há dúvida que a família é o mais importante. Mas não posso esquecer a equipa espetacular com quem trabalho todos os dias, que investem tudo para o sucesso da Casa Ermelinda Freitas com muito profissionalismo e afecto. Foi assim que a minha avó sempre trabalhou, e a minha mãe deu continuidade. Sinto-me plenamente integrada nesta equipa qualificada.


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