Joana Silva Lopes

 

Máquina de Escrever

Enóloga em ascenção


Joana Silva Lopes trabalha na Quinta do Casal Branco, em Almeirim, e revela através do seu trabalho a paixão que tem pelo vinho.  

Licenciada em Engenharia Agronómica, com especialização em Viticultura e Enologia pelo Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, terminou o curso em 2007 e logo a seguir rumou para o Alentejo para trabalhar na produtor Encostas de Estremoz. Pelo meio viajou até à Austrália e África do Sul, onde estagiou e visitou diversas regiões e adegas.  Em 2014 aceita o convite para trabalhar na Quinta do Casal Branco, na região Tejo, onde ainda hoje trabalha. A complementar o seu percurso, os seus vinhos têm ganho muitas medalhas em concursos nacionais e internacionais. Em 2014  ganhou o prémio para o melhor trabalho da Ordem dos Engenheiros (colégio de Agronomia) na área da viticultura, um trabalho fundamental para perceber como as alterações climáticas podem influenciar a videira. Já em 2017 foi eleita enóloga do ano na gala que premiou os melhores vinhos da região Tejo.

Já trabalhou no Alentejo e agora no Tejo. Fora essas, que outra região nacional escolheria para trabalhar? 
Tenho duas regiões de eleição. A primeira, Lisboa, porque é a minha região, onde nasci e vivi.  É lá que estão as minhas raízes com uma história antiga ligada ao vinho.  Acredito profundamente no potencial desta região. Depois o Douro, por ser uma região única, com uma beleza extraordinária e com uma potencialidade indiscutível, na produção de vinhos tintos premium. 

E se tivesse de sair de Portugal onde gostaria de trabalhar?
Voltava, sem hesitar, à Austrália.  Tive uma experiência única de vida e de trabalho no tempo em que lá estive. Escolhia a zona de South Australia, em particular a região vitícola de Eden Valley, junto a Barossa Valley.   

Qual é o vinho que mais gosta de fazer? 
Actualmente prefiro fazer vinhos brancos, pelo cuidado redobrado que exigem, desde o momento da colheita da uva até ao engarrafamento.  São vinhos de pormenores, gosto disso. 

Que vinho gostaria de fazer e ainda não fez? 
Um Vintage.

Quais são as suas castas preferidas?
Nos tintos, das castas que já tive oportunidade de trabalhar, destaco a Touriga Franca e o Alicante Bouschet.  No brancos, Fernão Pires, se possível de uma vinha velha na Charneca Ribatejana.

O vinho perfeito é aquele que… 
… é genuíno, expressa o terroir. Sem make up!

Fora os vinhos que faz, que vinho gostaria de oferecer a uma figura pública que admira?  
Oferecia um Henschke Hill of Grace a Marcelo Rebelo de Sousa.  Porque é um dos meus vinhos ‘Top 3’, um vinho especial que só ficamos a perceber melhor depois de conhecermos toda a história da família que o produz e a de uma vinha única.  Marcelo Rebelo de Sousa, também me tem surpreendido. A mim e à maioria dos portugueses, pela sua integridade, sensatez e por sensibilizar e mobilizar todos os portugueses. Merecia este vinho. Um vinho cheio de história, para quem também já está a fazer história. 


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