Paolo Basso

 

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Paolo Basso, o ‘Melhor Sommelier do Mundo’

Já arrecadou diversos títulos internacionais por ser sempre o melhor. Em 2013, alcançou o título maior de «Melhor Sommelier do Mundo», no campeonato que teve lugar no Japão, em Tokyo. Um sonho que poucos sommeliers conseguem alcançar.

É um sommelier reconhecido internacionalmente. A sua família está ligada a esta área? Como e quando percebeu que queria ser sommelier?
Alcançar o título de ‘Melhor Sommelier do Mundo’ é algo muito especial. Desde 1969, apenas 16 Sommeliers conseguiram obtê-lo. É uma grande honra e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. A minha família não pertence ao mundo do vinho, por isso não estava familiarizado. Só com muita tenacidade, determinação e estudo se podem alcançar excelentes resultados. Fui para a escola de hotelaria porque me interessou o mundo da alimentação e ali descobri o vinho e percebi que era a matéria mais complexa, misteriosa e interessante da área da alimentação, por isso decidi aprofundar os meus conhecimentos.

Os títulos acumulam-se na sua carreira. ‘Melhor Sommelier da Suíça’, ‘Melhor Sommelier da Europa’ e ‘Melhor Sommelier do Mundo’ , entre outros, o que é fantástico! Qual é o seu segredo?
Tenho esses títulos e várias vezes alcancei também os segundos lugares. Mas, uma vez que ganhamos os melhores títulos, temos de parar de competir. Esta é uma regra sempre respeitada. Depois de ter atingido o nível mais alto é a atitude mais correcta, para dar oportunidade a outros. Mas para lá chegar temos de dedicar todo o nosso tempo, profissional e livre, para treinar. Para mim o segredo foi ter a minha mulher a apoiar-me e a ajudar-me a treinar, a investir tempo e dinheiro nesse projeto. Todos os tempos livres e férias foram dedicados, durante vários anos, às competições de sommeliers.

Qual é o conselho que pode dar a quem sonha vir um dia alcançar o mesmo título? 
O meu principal conselho é que se foquem no essencial. É importante conhecer as regiões do mundo, mas devemos essencialmente focar-nos e especializar-nos em algumas delas de forma aprofundada. Depois, saber falar bem uma língua estrangeira para descrever os vinhos no concurso é extremamente importante porque temos de fazer uma gestão perfeita do tempo. Cada teste é cronometrado ao segundo, não há tempo a perder. 

Diga-me três vinhos que o levam ao céu!
Prefiro dizer-lhe três regiões vitivinícolas. Champagne, porque é a região onde comecei a minha carreira a competir nos concursos de sommelier, e também porque Champanhe é um vinho especial que se pode desfrutar em diversos momento e em quase todas as refeições. Toscana, porque é a região onde fui de férias com a minha mulher para estudar vinhos. Lá existe tudo para passar uma boa estadia: mar, vinhos, gastronomia, história, paisagem, cultura, natureza e um dos estilos de vida mais sedutores do mundo. Suíça, porque é o país onde moro e onde comecei a minha carreira. Apesar de ser um país pequeno, tem vinhos oriundos de vários terroirs, tem tradições e é uma pérola no coração dos Alpes.

Conhece bem os vinhos portugueses? 
Sei o essencial sobre vinhos portugueses e sobre a vossa cultura porque na Suíça existe uma grande comunidade de portugueses e eu trabalhei com vários. É um povo muito amigável e hospitaleiro, acho que somos muito parecidos porque temos o mesmo culto pela gastronomia e vinhos. Durante os últimos 20 anos a enologia portuguesa evoluiu muito e acho que há margem para crescer ainda mais. Portugal tem de ter mais cuidado com a ‘finesse’, o equilíbrio e a elegância dos vinhos, e não pensar apenas na concentração dos vinhos, a extracção de energia! 

Produz ‘Il Rosso di Chiara’, um tinto do sul da Suíça. Quando é que decidiu produzir o seu próprio vinho?
Ao ganhar o título de ‘Melhor Sommelier do Mundo’, surgiram-me diversas oportunidades profissionais, e produzir o meu próprio vinho foi uma delas. No fundo, acho que é um percurso natural, ir ao fundo da questão. Não só trabalhar com vinho de outros mas também produzir o meu vinho. É uma experiência incrível, mesmo que represente um grande esforço. De qualquer forma, estou acostumado a desafios.

Quais são as características do vinho?
É uma mistura típica de Bordéus: 80% de Merlot, a casta mais plantada na nossa região, e o restante, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Graças ao aquecimento global é possível ter na nossa região – a sul da Suíça, muito perto de Itália – as duas Cabernets cultivadas com resultados fantásticos. Estas duas castas dão profundidade e complexidade ao vinho.

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BIOGRAFIA

Até hoje apenas cinco sommeliers arrecadaram os títulos de «Melhor Sommelier da Europa» (em 2010) e «Melhor Sommelier do Mundo» (em 2013). Paolo Basso é um deles. Fora as vezes que chegou às finais. Já foi também o «Melhor Sommelier da Suíça» (em 1997) e em 2014 o ‘Comitato Grandi Cru d’Italia’ a associação de produtores de vinho mais prestigiada do país, nomeou-o «Sommelier do Ano». Nascido na Itália, vive actualmente na Suíça, tendo por isso dupla cidadania. Após a conclusão dos estudos de gestão hoteleira em Sondalo, Valtellina, e depois de vários estágios em hotéis e restaurantes suíços, ficou fascinado com o mundo do vinho e decidiu especializar-se na área. O primeiro passo foi estudar para o diploma de sommelier profissional na «Association Suisse des Sommeliers Professionnels’. Concluído o curso, trabalhou em diversos restaurantes com 1 e 2 estrelas Michelin, detentores de vinhos raros e coleccionáveis, que o tornaram especialista na área. 

É jurado de um dos concursos de vinhos de maior prestígio internacional (Decanter Wine Awards Mundial) entre outros. Colabora com várias revistas e guias do sector vitivinícola na Suíça e noutros países. Trabalha também como conferencista e professor de vinho na ‘School of Wine of Changins’, na Suíça, e na ‘Worldsom Sommelier Academy’ de Bordéus, sendo orador convidado em diversos seminários e eventos de gastronomia. Actualmente dirige a sua própria empresa de consultoria ‘Paolo Basso Wine’ em Lugano, Suíça, e produz o seu próprio vinho tinto suíço ‘Il Rosso di Chiara’, no sul da Suíça.


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